Ai que dor no coração!!!!!
Quando eu e meu marido decidimos viajar sem nossa princesinha de 2 aninhos, meu coração de mãe começou a ficar apertadinho! Não foi uma decisão fácil, e inicialmente chegamos até a desistir, mudando o roteiro para nos adequar e poder levá-la! Mas depois de pensarmos muito, ponderamos vários aspectos e decidimos ir.
Muitas eram as dúvidas, sobre como ela reagiria, se isso poderia causar algum trauma nela, culpa, sensação de egoísmo, de ser péssima mãe, mais que por outro lado, seria era uma viagem que eu queria muito fazer, seria bom para nós como casal, íamos aproveitar alguns prazeres que a muito tempo não tínhamos, como passar um almoço sem ter que levantar 4 vezes, assistir um filme inteiro, dormir até tarde, namorar, voltar tarde... aff, tanta coisa que passa na nossa cabeça!
A família do meu marido é mineira, minha família é paulista, e atualmente moramos no interior do Rio de Janeiro. Somos apenas nós três. Eu não estou trabalhando, ficamos o dia todo sozinhas, brincando. Ela não tem muito contato com avós, primos e tios, e isso dificultava as coisas. Por morar longe de tudo e de todos, não temos com quem deixá-la, e sendo assim, nossos programas são apenas aqueles em que podemos levá-la.
Decidimos que ela ficaria com a minha mãe, e eu não sabia o que era melhor: minha mãe vir para minha casa, ou levá-la para a casa da minha mãe?
Uma psicóloga amiga minha opinou no sentido de deixá-la em casa, para ela não estranhar o ambiente da casa da minha mãe, e trazer a minha mãe para nossa casa. Legal o raciocínio, mas eu pensei que dessa forma seria mais fácil ela sentir minha falta e do meu marido, porque é ali naquele lugar que ela está acostumada a brincar comigo, passar seus dias, almoçar, jantar, esperar o pai chegar do trabalho... Meu coração de mãe disse que seria melhor eu levá-la para casa da minha mãe, porque lá ela teria atenção dos avós e tios, seria um ambiente diferente para ela e justamente isto seria uma vantagem, porque a minha imagem e a imagem do meu marido não estão associadas àquele ambiente.
Um médico muito bom, falou que do mesmo jeito que ela ia sentir minha falta e falta do meu marido, nós também iríamos sentir falta dela! Falou que se eu optasse por ligar e pedir para falar com ela, que era para eu estar preparada para ouvir choro de saudade (dos dois lados) e me aconselhou a conversar com ela e contar que estava indo viajar.
Assim, uma semana antes da viagem, eu e Marcela fomos para a casa da minha mãe (para ela se acostumar) e depois de uma semana deixei ela lá, e vim para o Rio de Janeiro, pois iria embarcar no dia seguinte. Um dia antes de eu sair da casa da minha mãe, falei para ela: “Mamá, é o seguinte: a Mamãe vai viajar para buscar o Papai e eu vou demorar um pouquinho para voltar, mas quando eu voltar, vou trazer um monte de presente e um monte de balinha para você”.
Saí da casa da minha mãe com uma sensação de vazio. Deixei minha Pititinha dormindo, dei um beijinho suave em sua testa e fui embora. Tenho que confessar que chorei muito. Me senti culpada, uma péssima mãe.... e saudade! Cheguei e fui conversar com uma amiga que me lembrou: Giovana, a gente cria filho para o mundo! Não se sinta culpada por nada. Você está tendo a oportunidade agora, então vá agora! Ela está ficando com uma das pessoas que mais a ama no mundo, que vai fazer de tudo para que ela fique bem! Vai ser bom para ela também, acredite!
Aquelas palavras soaram como um conforto para meus ouvidos e para meu coração, saí de viagem sem culpa e feliz da vida.
Chegamos aqui no Rio, e algumas horas depois minha mãe chegou com ela. A sala de desembarque do Santos Dumont parou para ouvir os gritos dela quando ela nos viu. Ela gritava e pulava, aí falei para ela vir me dar um abraço e ela veio. Foi muito emocionante, eu não me contive e chorei. Ela ficou super entusiasmada com os presentinhos e com as balinhas que eu trouxe, e acabou tudo bem.





